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quinta-feira, 12 de maio de 2016

Jovens da periferia de São Paulo criam eventos culturais em Cotia


Foto: Ingrit Dutra
 Sem ajuda de órgãos públicos, grupo de jovens criou inúmeras ações culturais que têm servido de referência para diversas comunidades no Brasil


Devido à falta de iniciativa do poder público, vários jovens se reuniram em Cotia, região metropolitana do estado de São Paulo, para realizar diversas ações socioculturais e educativas, afim de levar o conhecimento e cultura para toda a população da cidade. O movimento Juventude Libre, que atua em cotia há mais de 5 anos, juntamente com o apoio do grupo Quintal do Hip-Hop, desenvolveram o projeto Sarau na Praça.

Com a participação da União dos Estudantes de Cotia (UESC), o Sarau na praça consiste em uma série de atividades culturais realizadas a céu aberto em uma praça no centro de Cotia. No evento, que acontece mensalmente, crianças, jovens e adolescentes, podem ter contato com diversas áreas da arte, da música e da leitura totalmente de graça.

Segundo um dos organizadores, o professor de sociologia, Wesllen Souza, havia uma grande necessidade de levar cultura e educação social à população, de uma forma que houvesse um maior aproveitamento e mais acesso às atividades culturais já oferecidas na cidade, além de criar uma forma original e criativa para dar espaço aos artistas que existem dentro de Cotia.

De acordo com Wesllen “O objetivo principal, é levar à toda população, além de atividades culturais, o talento e a arte de vários artistas locais, que por falta de apoio do poder público, acabam por ficar escondidos dentro da cidade. O que motivou a gente desde o início foi tentar fazer cultura na cidade, fazer com que as pessoas começassem a ter esse acesso às atividades culturais e fazer também com que elas apresentarem sua arte”, afirma ele, que ainda completa ressaltando a importância de valorizar o que a população produz. “Não é apenas receber cultura, mas também ter o espaço de produção, fomentação e a divulgação da cultura local”, encerra o professor.
 A céu aberto, no Sarau, diversos jovens e adolescentes se reúnem e realizam apresentações teatrais, recitais de poesia, performances com músicas ao vivo, e dá oportunidade para os próprios espectadores participarem das apresentações, sempre pensando em atividades e apresentações interativas.

Além das atrações culturais, tem também o momento da Roda de Debate, que antecede o início do Sarau, onde abre-se um espaço para a população discutir os principais problemas sociais do município e do estado, como a violência contra a mulher, por exemplo.


 Praça no centro de Cotia/ Foto: Ingrit Dutra/


Dificuldades

Um dos obstáculos que grupos como esse enfrentam em realizar algum tipo evento, como o Sarau, é não possuir muitos colaboradores, pois essas apresentações muita vezes exigem uma infra-estrutura que eles não têm condições de bancar, já que, não possuem nenhuma verba. Entretanto, isso não os impedem de envolver o público, sendo o número de expectadores cada vez maior e participativo.

Para a estudante Alicia Souza, 18, que participa dos eventos há cinco anos, se não fossem os movimentos e as entidades sociais da região, não haveria projeto algum em Cotia. “Tem o Fórum de Luta de Cotia, a Juventude Libre, e a UESC que também é uma iniciativa popular, porque a entidade estudantil que a gente tem, é vinculada com o governo, e eles não fazem nada, se a gente não fizer, ninguém vai fazer”, ressalta Alicia.

O Sarau na Praça realizou sua primeira edição em janeiro deste ano, com a intenção de fazer uso de espaços públicos que não são muito utilizados, como a Praça da Matriz, onde ele acontece sempre no último sábado de cada mês, localizada no centro da cidade.

Para mais informações, basta acessar a página oficial da União dos Estudantes de Cotia. Acesse: Facebook.com/ UESC-Cotia 

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Ouça o podcast da matéria:

Carapicuíba tem espaço para cursos gratuitos de artes


Foto: Sophia Bassi
Proporcionando cursos gratuitos de artes em geral para moradores da cidade de Carapicuíba e outras regiões, a Abenaf é uma das ONG’s que mais ajuda na inclusão social. Fundada em 2002, ela possui como cursos teatro, danças como street break e ventre, fotografia, audiovisual e jornalismo. As aulas são realizadas aos sábados de manhã na FIEB de Carapicuíba e na Escola Estadual Toufic Joulian.

Sob a administração do jornalista Joel Miranda, os professores trabalham voluntariamente e ajudam com o necessário. “A ideia da Abenaf surgiu quando eu frequentava o Sesc de São Paulo”, disse Joel Miranda, fundador da ONG. “Eu pensei ‘vou criar uma ONG voltada a cultura’. Então, uni voluntários e tivemos auxílio federal por três anos e multiplicamos no decorrer do tempo. Percebi que a Abenaf e pessoas de bom coração podem ajudar outras pessoas”.


Quanto a questão financeira, os voluntários se unem para que a ideia da Abenaf continue por muito tempo ainda. “Inicialmente, fazemos eventos para arrecadar fundos”, afirma Joel. A inscrição é de R$ 20,00 para custear, mas não é obrigatório. Se a pessoa disser que não tem condições, nos entendemos. Só cobramos de quem realmente vai fazer [os cursos]. O que arrecadamos, compramos equipamentos. Ainda vamos montar uma biblioteca”.

Foto: Sophia Bassi

Os professores procuram se dedicarem ao máximo ao ensinar seus alunos e que eles possam tirar o maior proveito das aulas, como afirma o professor de teatro e irmão de Joel, Josimar Miranda, formado na Escola de Artes Macunaíma. “Nosso objetivo é transformar pessoas. Que elas possam se auto avaliarem e se enxergarem, despertando nelas transformação. O teatro ajuda elas a saírem da zona de conforto e se tornarem críticas. Eu me preocupo com o individual de cada um. Cada um vem com um bloqueio e uma história diferente”. Estas aulas artísticas, mesmo sendo gratuitas, possuem a mesma didática de aulas particulares, porém sem que o foco seja em profissionalizar. 


Já a professora de dança Francis Rosa se preocupa com o físico que os alunos terão ao longo das aulas. “O intuito é ir além do condicionamento físico. É tirar o medo, desafiar os movimentos e levar para a vida deles autoconfiança”, afirma ela. “Tenho como cuidado de acordo com o perfil do grupo. Se é um grupo mais velho há um tipo de cuidado; se for criança, é preciso ter mais paciência”.

Para os alunos Jardel Ferreira dos Anjos Lima, de 19 anos e Dayeny Gomes Calheiros, de 22 anos, que já estão na Abenaf há cinco anos, já foram alunos de teatro e agora cursam dança, a ONG teve muita importância em suas vidas. “A Abenaf mudou tantas coisas em minha vida. Mudou no sentido de olhar a arte de outra forma e as pessoas que convivem comigo”, disse Jardel. “E também é algo que eu queria para minha vida, que é praticar dança profissionalmente. Graças a Abenaf, faço curso técnico de dança”.
“Eu praticava ballet quando era pequena e voltei a fazer. A Abenaf mudou minha vida completamente. Eu era uma pessoa totalmente introvertida, muda. E, com o tempo, as pessoas me ajudaram a me desenvolver”, disse Dayeny.

Para que haja mais alunos interessados nos cursos, a Abenaf realiza um sarau todo o fim de ano no Quintal Cultural, em Carapicuíba. Neste ano, o evento será realizado dia 14 de novembro e a entrada custa R$ 5,00.

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